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Case Report of Painful Nodules in Lipedema: Correlation between Qualitative Ultrasonographic Classification and Histological Findings

De uma nota paper_artigo

O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura subcutânea em membros superiores e inferiores, poupando mãos, pés e tronco. Afeta cerca de 12,3% das mulheres brasileiras e é frequentemente confundido com obesidade ou linfedema, resultando em atrasos no diagnóstico.

Recentemente, foi proposta a Classificação Ultrassonográfica da Derme e Hipoderme no Lipedema (LDHC), que identifica padrões qualitativos de alterações na pele e no tecido subcutâneo. Durante sua aplicação, foram observados nódulos dolorosos ecogênicos, não compatíveis com lipomas.


Relato de Caso

  • Paciente: mulher, 55 anos, com lipedema tipo II e IV, estágio funcional 3.

  • Sintomas: dor, fadiga, hematomas espontâneos, piora em períodos hormonais (gravidez, ciclo menstrual).

  • Histórico: flebectomias e safenectomia; sem comorbidades relevantes.

  • Exame físico: nódulos subcutâneos palpáveis e dolorosos em coxa e braço direitos.


Métodos

  • Avaliação ultrassonográfica (modo B e Doppler): identificados nódulos ecogênicos classificados como LDHC 3.

  • Comparação com controle saudável: a paciente apresentou maior espessura dermo-hipodérmica e índice de resistência (RI) aumentado nas artérias hipodérmicas, sugerindo pressão aumentada no compartimento subcutâneo.

  • Biópsia guiada por US: retirada de nódulos da coxa e braço para análise histológica.


Resultados

  • Macroscopia: nódulos avermelhados, sugerindo conteúdo sanguíneo.

  • Histologia:

    • focos de esteatonecrose (necrose de adipócitos),

    • hemorragia,

    • neoangiogênese imatura com vasos frágeis e tortuosos,

    • reação inflamatória discreta.

  • Esses achados confirmam correlação entre nódulos ultrassonográficos LDHC 3 e áreas de hipóxia, inflamação crônica e hemorragia no lipedema.


Discussão

  • O caso apoia a teoria de que o lipedema envolve “síndrome compartimental subclínica”, em que o aumento da gordura subcutânea gera pressão, reduz oxigenação, leva à necrose gordurosa e formação de vasos frágeis, predispostos a sangramentos e inflamação.

  • Isso explicaria sintomas clássicos como dor crônica e hematomas espontâneos.

  • A LDHC pode funcionar como uma “biópsia virtual”, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos.


Conclusão

  • O estudo reforça a influência genética e hormonal (particularmente estrogênica) no lipedema.

  • A classificação LDHC associada ao Doppler pode se tornar ferramenta diagnóstica, terapêutica e de acompanhamento.

  • Os nódulos dolorosos LDHC 3 diferenciam lipedema de obesidade, lipomas e linfedema.

  • É necessário ampliar os estudos para confirmar o valor clínico e prognóstico desses achados.