O lipedema é tradicionalmente considerado uma doença quase exclusiva de mulheres, mas estudos recentes apontam que cerca de 0,2% dos homens também podem ser afetados. A condição permanece subdiagnosticada em pacientes do sexo masculino, em grande parte por falta de conhecimento médico e escassez de literatura.
Este estudo retrospectivo, realizado no Instituto Amato de Medicina Avançada (São Paulo, Brasil), analisou cinco homens diagnosticados com lipedema entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Os pacientes tinham entre 31 e 58 anos, com IMC entre 29 e 42,4 kg/m². Todos apresentavam acúmulo de gordura bilateral e simétrico nos membros inferiores, poupando os pés. Comorbidades endócrinas estavam presentes em 80% dos casos, e um paciente testou positivo para os marcadores HLA-DQ2/DQ8, sugerindo possível componente autoimune.
Resultados do tratamento
O manejo foi conservador, baseado em dieta (incluindo estratégias cetogênicas e em alguns casos sem glúten), exercícios e suporte médico. Após 4 a 8 semanas:
Houve redução média de 7 kg no peso corporal.
O volume dos membros inferiores diminuiu em média 2,5 L.
Pacientes que apresentavam dor relataram melhora dos sintomas.
Não foram observados efeitos adversos relevantes.
Discussão
Os achados confirmam que o lipedema pode ocorrer em homens com características clínicas semelhantes às das mulheres: acúmulo de gordura simétrica nos membros inferiores e preservação dos pés. A alta frequência de comorbidades endócrinas e de histórico familiar positivo reforça o papel de fatores genéticos e hormonais. A identificação de HLA-DQ2/DQ8 em um caso levanta a hipótese de associação com processos autoimunes e de benefício potencial da dieta sem glúten.
Conclusão
O estudo demonstra que o lipedema deve ser considerado também em pacientes do sexo masculino com desproporção corporal típica. O tratamento conservador mostrou benefícios rápidos e relevantes. Os autores recomendam:
Maior atenção clínica para diagnóstico precoce em homens;
Uso de métodos objetivos como bioimpedância para apoiar a avaliação;
Investigação futura sobre o papel de HLA-DQ2/DQ8 e de intervenções dietéticas;
Estudos multicêntricos maiores para definir a real prevalência, mecanismos fisiopatológicos e protocolos terapêuticos para lipedema em homens
