Sobrediagnóstico: quando o exame a mais vira doença

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Sobrediagnóstico é encontrar, num exame, uma alteração real que nunca teria causado sintoma nem encurtado a vida daquela pessoa. Não é erro de laudo: o achado existe. O problema é o que vem depois dele — o rótulo de doente, a fila de exames de controle, a ansiedade e, muitas vezes, um tratamento cujo risco é certo enquanto o benefício é hipotético.

É um efeito colateral da boa intenção. Quanto mais sensível o método e quanto mais cedo se rastreia, mais se encontra — inclusive o que não precisaria ser encontrado. Em cirurgia vascular isso aparece o tempo todo: achados incidentais em exames de imagem pedidos por outro motivo, graus de estenose que nunca dariam sintoma, alterações anatômicas que são variação normal.

O vídeo abaixo tem 8 minutos e explica o mecanismo com exemplos do dia a dia.

Para ir mais fundo

Escrevi um capítulo inteiro sobre o assunto, disponível no ResearchGate, e um artigo mais longo no vascular.pro:

O ponto não é deixar de investigar. É reconhecer que todo exame tem duas possibilidades de erro, e que a decisão de pedir um deveria vir de uma pergunta clínica — não do reflexo de pedir tudo.